Madonna e a Polémica (2) por André R. Costa

O período Confessions, surge mais uma vez calmo em termos de provocação e vídeo, contudo muitos conservadores criticam Madonna, devido ao seu aparecimento em “boddy” durante “Hung Up” defendendo que esta não é nem será a forma de vestir correcta para uma mulher de 48 anos, com uma família para manter.



A polémica ganha novo folgo com o “Confessions Tour”. Podemos considerar este tour, como um dos mais polémicos de sempre: a cena de crucificação (Madonna aparece com uma coroa de espinhos, crucificada a uma cruz) em “Live to Tell” gerou manifestações na Rússia, e o cancelamento de espectáculos em alguns países, por falta de segurança. Com a crucificação, Madonna pretendia criticar a posição da igreja face aos problemas dos países pobres, face à SIDA, ao uso de preservativo, pretendendo alertar o mundo para o facto de milhares de crianças morrem todos os dias, devido à ineficácia da ajuda humanitária, e sobretudo devido às ideias retrógradas da religião em África.


A polémica continua, com “Isaac” em que Madonna critica a posição da mulher no mundo muçulmano; mulher essa reincarnada por uma bailarina, vestida de modo parecido com o ideal muçulmano, que surge fechada atrás de grades, presa, sem liberdade.
Em “Forbidden Love” Madonna põe lado a lado, dois bailarinos com os símbolos da religião judaica e muçulmano, incentivando, ao fim das hostilidades entres estas duas religiões; defendendo a boa convivência entre religiões, como forma de evitar guerras “We are One”, proclama ela.


A polémica continua com o interlude “Sorry” em que Madonna aparece no vídeo criticando várias figuras políticas mundiais; misturando imagens de guerra, fome, tortura, incentivando a que o mundo acorde e olhe para aquilo que acontece à sua volta. George W. Bush é um dos mais criticados no vídeo; assim como durante “Ray of Light”, em que esta muda certos trechos da música, aproveitando para insultar o presidente Norte-Americano. O Confessions Tour foi realmente uma tournée rica em polémica, que alimentou a imagem de Madonna por todos os países do mundo, levando à sua crítica ou sua defesa. Contudo a verdade é única: Madonna continua a mais forte, o maior icone de sempre. Confessions foi a tournée mais lucrativa de uma artista feminina na história da música. A provocação, menos sexual e mais política continua a fazer com que Madonna ganhe pontos.


A adopção do pequeno David, do Malawi, envolve Madonna noutra polémica. Criticada por uns, defendida por outras; Madonna percorreu os serviços noticiosos de todo o mundo, levando a que esta, através do programa Oprah, exprimisse os seus sentimentos face às críticas negativas que recebia, devido ao aproveitamento mediático, e à suposta flexibilização do processo de adopção do pequeno David


Chega o período “Hard Candy”. Madonna, com 50 anos prova que a idade não é factor para parar, e prova-o bem na capa sexy do álbum. A forma física da cantora, os duetos com novas estrelas mundiais, faz com que “4 minutes” seja um dos hits com maior sucesso da carreira de Madonna. O seu envolvimento político e social continua, com a realização de “I am Because We Are”; um documentário sobre a crise do Malawi, e o sofrimento do seu povo. O documentário é bem aceite pelos media, o que permite alertar o mundo do problema gravíssimo que atravessa o Malawi. Madonna mostra mais uma vez o seu lado humano e solidário aos seus fãs e ao planeta.


Chega o Sticky and Sweet Tour, em plena campanha eleitoral para a presidência americana. Oportunidade que Madonna não deixa passar para transmitir a sua opinião sobre o candidato que esta apoia. O interlude “Get Stupid” é imagem disso. O vídeo apresenta Madonna alertando o mundo para os problemas climáticos, a mudança necessária, e mais uma vez a crítica aos políticos e ditadores do mundo, misturando imagens fortes de guerra, mortes, sofrimento; envolvendo frases que questionam o público e advertem para a urgência de se fazer algo para mudar o estado das coisas. Assim aparece aliada a W. Bush e MCCain a figura de Hitler; o que causou grande embaraço na campanha do candidato republicano à presidência O vídeo acaba com o aparecimento de personalidades que de alguma forma fizeram ou tentam fazer o bem sobre a terra: Gandhi, Madre Teresa… Acabando com uma mensagem de esperança, mostrando Obama como última imagem.




A polémica não pára: Madonna dedica em Roma, “Like a Virgin” ao Papa, defendendo que todos somos iguais, e filhos de Deus; na tournée americana, Madonna critica Sarah Palin (vice de MCCain) desconvidando-a de assistir aos seus espectáculos. Envolvida a 100% na campanha de Obama, Madonna lança mesmo uma t-shirt com a cara de Obama, com “Express Yoursel” escrito em letras garrafais por baixo.



Mais recentemente, Madonna criticou o governador da Califórnia, defendendo o casamento entre homossexuais no Estado, que ainda se encontra proibido por leis federais.
O caso de divórcio aos 50 anos com Guy Ritchie é agora a nova polémica de Madonna, e promete fazer correr muita notícia através dos jornais mundiais. Madonna, durante alguns shows aproveitou para indirectamente criticar o ex-marido dedicando “Miles Away” aos “emocionalmente retardados”. Mais uma vez, Madonna, é destaque na imprensa mundial.

Madonna e a polémica são um só. A verdade é que se muitas vezes esta exagerou na provocação, muitos dos seus ideias eram louvados: a mudança de mentalidades, o papel da mulher, a religião, a guerra, os ditadores. Com a polémica, Madonna permite por no centro do debate os seus ideias, e alerta o mundo para os problemas do mundo, incentivando-o a expressar-se a fazer algo para mudar o estado das coisas. Disserem o que disserem, Madonna é rainha da provocação, mas também da inspiração para milhões de pessoas. As suas causas são boas, e os seus fins também. Se o mundo não acorda, porque não usar algo chocante para estimular as pessoas a levantarem-se e a agir?
Madonna detesta a passividade, e as suas atitudes provam isso. “Express Yourself” foi, é e será sempre o seu lema. Ela própria o disse: “…se temos a sorte de ser conhecidos em todo o Mundo, porque não usar esse ponto a nosso favor, podendo ajudar a mudar as mentalidades de milhões de pessoas? Eu faço-o, e fa-lo-ei sempre que achar que algo não está correcto ou não é justo…!



Aproveito para desejar a todos os leitores um óptimo 2009!

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